Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

ESTE É O POEMA DO AMOR.

Do amor tal qual se fala, do amor sem mestre.

Do amor.
Do amor.
Do amor.

Este é o poema do amor.

Do amor das fachadas dos prédios e dos recipientes do lixo.
Do amor das galinha, dos gatos e dos cães, e de toda a espécie de bicho.
Do amor.
Do amor.
Do amor.

Este é o poema do amor.

Do amor das soleiras das portas
E das varandas que estão por cima das portas
Com begónias e avencas plantadas em tachos e terrinas.
Do amor das janelas sem cortinas
Ou de cortinas sujas e tortas.
 
Este é o poema do amor.

Do amor das pedras brancas do passeio
Com pedrinhas pretas a enfeitá-lo paro os olhos se entreterem,
E as ervas teimosas a nascerem de permeio
E os homens de cócoras a raparem nas e elas por outro lado a crescerem.
Do amor das cadeiras cá fora em redor das mesas
Com as chávenas de café em cima e o toldo de riscas encarnadas.
Do amor das lojas abertas, com muitos fregueses e freguesas
A entrarem e a saírem, e as pessoas todas muito malcriadas.

Este é o poema do amor.

Do amor do sol e do luar,
Do frio e do calor,
Das arvores e do mar,
Da brisa e da tormenta,
Da chuva violenta,
Da luz e da cor.

Do amor do ar que circula
E varre os caminhos
E faz remoinhos
E bate no rosto e fere e estimula.
Do amor de ser distraído e pisar as pessoas graves,
Do amor de amar sem lei nem compromisso,
Do amor de olhar de lado como fazem as aves,
Do amor de ir, e voltar, e tornar a ir, e ninguém ter nada com isso.
Do amor de tudo quanto é livre, de tudo quanto mexe e esbraceja,
Que salta, que voa, que vibra e lateja.
Das fitas ao vento,
Dos barcos pintados,
Das frutas, dos cromos, das caixas de tintas, dos supermercados.

Este é o poema do amor.
 
O poema que o poeta propositadamente escreveu
Só para falar de amor,
De amor,
De amor,
De amor,
Para repetir muitas vezes a palavra amor,
Amor,
Amor,
Amor.
Para que um dia, quando o Cérebro Electrónico
Contar as palavras que o poeta escreveu,
Tantos que,
Tantos se,
Tantos lhe,
Tantos tu,
Tantos ela,
Tantos eu,
Conclua que a palavra que o poeta mais vezes escreveu
Foi amor,
Amor,
Amor.
 
Este é o poema do amor.

António Gedeão

publicado por Manuel M. Oliveira às 16:32
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