Sábado, 22 de Agosto de 2009

POESIA de DANIEL FARIA

 

 

SOU GÉMEO DE MIM E TUDO

Sou gémeo de mim e tudo
O que sou é
Distância.
Estou sentado sobre os meus joelhos
Separado.
Aquilo que une
É um rumor.
Não descanso. Sou urgência
De outro sítio. E pudesse velar-me
Longe
Dos homens como se neles
Adormecesse.

 

 

AMO-TE NO INTENSO TRÁFEGO

 

Amo-te no intenso tráfego
Com toda a poluição no sangue.
Exponho-te a vontade
O lugar que só respira na tua boca
Ó verbo que amo como a pronúncia
Da mãe, do amigo, do poema
Em pensamento.
Com
todas as ideias da minha cabeça ponho-me no silêncio
Dos teus lábios.
Molda-me a partir do céu da tua boca
Porque pressinto que posso ouvir-te
No firmamento.

 


AS MULHERES ASPIRAM A CASA PARA DENTRO DOS PULMÕES 

As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões 
E muitas transformam-se em árvores cheias de ninhos – digo, 
As mulheres – ainda que as casas apresentem os telhados inclinados 
Ao peso dos pássaros que se abrigam. 

 

É à janela dos filhos que as mulheres respiram 
Sentadas nos degraus olhando para eles e muitas 
Transformam-se em escadas 

 

Muitas mulheres transformam-se em paisagens 
Em árvores cheias de crianças trepando que se penduram 
Nos ramos – no pescoço das mães – ainda que as árvores irradiem 
Cheias de rebentos 

 

As mulheres aspiram para dentro 
E geram continuamente. Transformam-se em pomares. 
Elas arrumam a casa 
Elas põem a mesa 
Ao redor do coração.

 

 

SABES, LEITOR, QUE ESTAMOS AMBOS NA MESMA PÁGINA

Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma página
E aproveito o facto de teres chegado agora
Para te explicar como vejo o crescer de uma magnólia.
A magnólia cresce na terra que pisas - podes pensar
Que te digo alguma coisa não necessária, mas podia ter-te dito,
[acredita,
Que a magnólia te cresce como um livro entre as mãos. Ou melhor,
Que a magnólia - e essa é a verdade - cresce sempre
Apesar de nós.
Esta raiz para a palavra que ela lançou no poema
Pode bem significar que no ramo que ficar desse lado
A flor que se abrir é já um pouco de ti. E a flor que te estendo,
Mesmo que a recuses
Nunca a poderei conhecer, nem jamais, por muito que a ame,
A colherei.


A magnólia estende contra a minha escrita a tua sombra
E eu toco na sombra da magnólia como se pegasse na tua mão

 

CONSERTO A PALAVRA COM TODOS OS SENTIDOS EM SILÊNCIO

 

Conserto a palavra com todos os sentidos em silêncio
Restauro-a
Dou-lhe
um som para que ela fale por dentro
Ilumino-a

 

Ela é um candeeiro sobre a minha mesa
Reunida numa forma comparada à lâmpada
A um zumbido calado momentaneamente em exame

 

Ela não se come como as palavras inteiras
Mas devora-se a si mesma e restauro-a
A partir do vómito
Volto devagar a colocá-la na fome

 

Perco-a e recupero-a como o tempo da tristeza
Como um homem nadando para trás
E sou uma energia para ela

 

E ilumino-a

publicado por Manuel M. Oliveira às 19:30
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