1
olhámos as mãos
as pedras
o silêncio
nada dissemos
porque já tudo havia sido dito
2
procurámos a ternura
nos beijos indecisos
nos corpos intactos
nas mãos desejadas
e restámos
simplesmente
como se nada
ou tudo
houvesse acontecido
como se o grito que ouvimos
nas letras dos jornais
fosse apenas um grito
nada mais
3
cobriram-nos de sonhos inúteis
e sobejámos
incompletos
de mãos vazias
serenos
como se nascesse impotência
das palavras que nos deram
como se as horas do dia
que dedicámos à poesia
se transformassem em flores
nos olhos daquela criança que morreu
que morreu impunemente
como morrem todas as crianças
4
demo-nos
unicamente
na singeleza das palavras
e infecundos
seguimos dias
as noites
os mêses
os anos
5
quisemos rodear os nossos gestos
da simplicidade das coisas
do nítido contorno das coisas
mas sentimo-nos sós
fechados
como baús
sem asas
sem pássaros derramados pelos lábios
sem mais outra esperança
do que a necessidade de sermos nós
6
deram-nos as palavras
só por dar
como se nos dessem a própria dor
e nós fôssemos mendigos de poesia
7
possuimos um sonho em nossas mãos
mas percorreram-nos as veias do silêncio
como se o mar não tocasse as proas dos navios
e na inutilidade que sentimos
nela nos transformámos
como se nos tivessem modelado à sua imagem
ou tivéssemos nascido de joelhos
Joaquim Manuel Pinto Serra
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