No céu as estrelas movem-se,
Uma a uma, até que soam
De cristal as cadências da noite.
A chuva canta ao meio, lenta & longa.
A mim só me resta,
Numa polifonia que tudo contém,
Puro, um deus que cresça,
A aproximar-se, por degraus, da Morte.
OVÍDIO, AMORES; I, 5
A tua língua tem a consistência da rosa
e o sabor da madrugada.
Ergo-a com a minha em direcção ao céu
e voas no interior da minha boca.
Mordes os meus lábios
e ficas com a boca entumecida e plena.
Se abres a boca deslizo na língua até à garganta:
e sou a loba branca que vem morrer à praia.
Percorro o teu ouvido
como o mar explora as grutas;
procuro nele os búzios, as pedras,
as algas da tua história.
No meu peito as tuas mãos deslizam
e vêem nele uma superfície castanha,
um velho espelho chinês;
mas no teu peito as minhas mãos suscitam
a escultura e a música:
fazem nascer o volume amigo da terra,
os primeiros sonhos da tarde.
Na minha boca ele é manso:
oiço nele a água, a cor do ouro, o silêncio.
A tua pele está agora chegada ao meu rosto
leio nela uma mensagem.
Se sinto nas minhas mãos a curva das tuas coxas,
a grande baía azul do teu ventre descansa;
se me encosto na almofada,
as tuas pernas dobram-se em ângulo recto.
As mãos sobem até ao joelho e descem, depois,
até se imobilizarem na grande rosácea aberta do teu ser.
A minha mão toma agora a forma da ogiva
e lê nas estalactites aromáticas do teu ser
as inscrições e os símbolos que me transmites.
Repouso com a cabeça entre os teus pés
e aperto nos meus a tua cabeça.
Nas tuas mãos sou um unicórnio livre:
elas falam de todo o amor deste mundo
através dos seus cinco sinos.
Quando as tuas mãos guiaram o grande chifre fálico
nas espaçosas paisagens do teu ser
os cisnes espalharam-se sobre o lago
batendo com a cauda.
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